Com a voz embargada e os olhos marejados, o músico e coordenador da Orquestra Sinfônica da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Moacir Lazzari, se emociona ao falar da sua relação com o Concertos ao Entardecer, projeto musical que completa 25 anos neste mês. Também pudera: a parceria da Osucs com a Divisão de Museus da secretaria da Cultura de Caxias do Sul tem uma história recheada de apresentações memoráveis ao longo desse tempo. Além disso, o Concertos merece atenção porque, desde o início, faz a música de câmara ressoar no cenário artístico da região e, principalmente, no coração do público. O caráter social, que joga ainda mais luz à sua existência, também é ponto forte da iniciativa que ocorre nos palcos de Caxias sempre no último final de semana de cada mês.
O primeiro acorde desta trajetória foi escrito em 29 de agosto de 1993, quando os artistas da Orquestra de Câmara da Sociedade de Cultura Musical, sob a regência do uruguaio Jorge Inda, saudaram o entardecer de domingo com um repertório que tinha nomes consagrados da música erudita, como Carlos Gomes (1836-1896) e Villa-Lobos (1887-1959). Na ocasião, cerca de 150 pessoas lotaram as dependências do Museu Municipal para acompanhar a estreia da iniciativa. A intenção de criar um projeto permanente para o desenvolvimento e popularização da música de câmara na cidade foi uma sugestão da então servidora pública Ana Rita Bertocchi, que se inspirou em iniciativas semelhantes que fervilhavam na capital gaúcha. A ideia de Ana Rita foi vista com entusiasmo pela museóloga e pesquisadora Tânia Tonet, que à época dirigia o Museu e Arquivo Histórico Municipal. O carinho e a dedicação da equipe, aliás, são características marcantes nessa trajetória de 25 anos, como ressalta a servidora Marizete Raimann, que atualmente ajuda na organização do projeto:
— Comecei a trabalhar no Museu Municipal em 2001 e lembro ter ficado impressionada em ver a Ana Rita, mentora dos concertos, decorando os convites com aquarelas, num trabalho artesanal. Era fantástico porque ela dispensava uma atenção grandiosa. Foi aí que comecei a me envolver, ainda não na organização, mas como apreciadora de música — conta Marizete.
O tempo passou e o Concertos ao Entardecer ganhou cada vez mais espaço no calendário cultural de Caxias, fortalecendo o leque de opções de lazer aos domingos. Seja nas dependências do Museu Municipal, no altar de templos religiosos, como a Igreja Metodista, a Capela de Santo Sepulcro e as charmosas igrejas do interior, as apresentações cumprem dois papéis importantes na cadeia de produção artística: formação de público e criação de espaço para artistas.
— Esse é um dos nossos diferenciais. Como curadores, não impomos absolutamente nada. A única regra é valorizar música de qualidade, seja ela instrumental ou vocal. O artista escolhe seu repertório e isso traz uma proximidade maior com o público. A música de câmara também facilita o entendimento, pois um oboé, piano ou saxofone podem se diluir na grande massa sonora de uma orquestra. Nos concertos fica tudo mais próximo — salienta Moacir Lazzari, que chegou a se apresentar em uma das edições do projeto, ao som do oboé, instrumento de sopro da família das madeiras.
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