Desportista

Valmor Lazzari tem uma vida ligada
ao esporte amador e à Forqueta





Publicado em 21 de dezembro de 2017

TEXTOS
Cristiano Daros
cristiano.daros@pioneiro.com

IMAGENS
Marcelo Casagrande
marcelo.casagrande@pioneiro.com


ARTE e INFOGRAFIA
Andressa Paulino

Valmor Lazzari é, acima de tudo, um desportista. Recém completou 60 anos e mantém uma rotina esportiva intensa. Ele joga futebol, vôlei, participa de um grupo de corrida e é um bastião do Esporte Clube União Forquetense. Está na equipe desde os 12 anos, como atleta, e desde 1987 como membro da direção. Uma história que ainda está longe de terminar.

– Eu até poderia parar. A partir do momento que tiverem pessoas dando andamento ao nosso trabalho, posso sair da direção. Mas as outras atividades, não. Mesmo com 60 anos quero me manter ativo até quando tiver condições – diz Lazzari.

Essa história vem de longa data. Ele nasceu em Forqueta e desde que se conhece por gente joga futebol. A paixão pelo esporte é tão grande que na infância Lazzari e os amigos percorriam sete quilômetros pelos trilhos, onde passava o trem, para jogar no Desvio Rizzo.

– Era bacana, porque íamos conversando. Na época, ainda tinha o sonho de ser jogador e me inspirava no Pelé. Aquele desejo de todas as crianças em ser profissional – recorda Lazzari.

Esse amor nasceu em casa e do principal exemplo dele e dos seus irmãos: o pai Valdomiro. Ele era um aficionado por esportes, principalmente o futebol. Ia para todos os lados, com os filhos, para ver jogos. Sejam dos times profissionais ou do União Forquetense.

– Ele sempre nos levava para ver as partidas do Juventude e do Caxias. O pai era motorista e tinha um caminhão na época. Nos levava na carroceria para ver os jogos do União Forquetense. Era muito apaixonado. Ele deixou como um legado para nós este gosto pelo futebol, por jogar, e isso também me levou a ser dirigente do Forquetense – conta Lazzari.

Esse envolvimento se confunde com a comunidade de Forqueta. Se a vida esportiva é intensa, a comunitária corre lado a lado. Além de trabalhar desde a infância com agricultura, ele também foi cobrador de ônibus aos 15 anos. A linha? Forqueta, passando pelo Desvio Rizzo e indo ao centro. Lazzari conhece todos e trabalha muito na sua localidade.

– Organizo o torneio de futebol de salão da Festa do Vinho Novo, as olímpiadas coloniais, organizamos alguns torneios aqui no clube e festas das rainhas do Forquetense. Mesmo em férias, organizo torneios de futebol sete em Passo de Torres (SC) – conta.

E o que se ganha com toda essa entrega e envolvimento?

– O que mais ganhei foram amizades. O reconhecimento das pessoas. Quando se chega numa comunidade e você recebe um cumprimento, um aperto de mão. Ser reconhecido é o suficiente – responde o emocionado Lazzari.

O maior ano da história do Forquetense

O 2017 foi épico para o União Forquetense. Em 84 anos de história, o clube nunca tinha levado três títulos na mesma temporada. Desta vez, levou a taça nos Titulares, Sênior e Super Sênior.

– Esse ano foi fantástico para o futebol do União Forquetense. Desde que entramos na Copa União, em 1997, acho que só em 2001 havíamos conquistado os titulares e veteranos. Esse ano levamos três – vibra Lazzari, que foi dirigente e jogador no Super Sênior.

O troféu deste ano é mais um para a extensa galeria, que logicamente conta boa parte da história do União. Mas conquistas no futebol nunca são solitárias. Lazzari faz questão de lembrar quem ajudou o clube nesta jornada:

– Isso é o trabalho de muita gente. Neste último ano, a presidência deu muita força para o futebol com promoções e estrutura para os atletas. Para se ganhar é muito difícil, muitas equipes investem e não chegam.

Ficha Técnica

Nome:
Valmor José Lazzari

Data de nascimento:
13/12/1957 (60 anos)

Peso:
76 kg

Clubes:
União Forquetense, Canarinho, São Luiz, Ericsson do Brasil e Serrano de Farroupilha

Situação:
em atividade

Posição:
Lateral-direito e zagueiro

Títulos:
15 conquistas: 9 Copa União, 1 Regional de Amadores e
5 Torneio Farrapos

Comecei jogando no dente de leite, com 12 anos. Gostava de jogar e estava em casa


na História Valmor está no União Forquetense desde seus 12 anos de idade e acompanhou o clube em vários títulos

A vida dupla entre dirigente
e jogador

Desde os 29 anos, Lazzari se divide entre dirigente e jogador. Alguém pode achar que ele monta o time pensando em ser titular ou jogar a maioria das partidas, mas isso é rechaçado com veemência no discurso.

– Como acabo formando o time, fico em segundo plano. Muitas vezes poderia jogar até mais do que quem é titular, mas como dirigente preciso ter uma certa calma e não colocar pressão. Isso não dá certo. Eu sempre trabalho com certa cautela. O treinador determina quem joga e vejo de uma forma bem natural – opina.

Essa regra só pode ser quebrada em amistosos, segundo Lazzari:

– Campeonato é diferente de amistoso. Nos amistosos têm oportunidade para todos jogarem, mas em campeonato se prioriza o título. Nesse caso, eu não coloco pressão para jogar. Se a equipe ganhar, todos ganham.

Nesta vida de dirigente, ele coleciona títulos. Um é especial: a conquista do Regional de Amadores, em 1993. Um torneio organizado, à época, pela Federação Gaúcha de Futebol. E o time da comunidade de Forqueta foi campeão bem longe de Caxias do Sul, e em uma revanche.

– Nós tínhamos um grupo de atletas formados por jogadores que disputavam o Campeonato do Sesi, de Caxias do Sul. Conquistamos essa taça sobre o Juventude, de Bom Jesus. Dois anos antes, também tínhamos feito a final com eles e perdemos aos 45 minutos do segundo tempo. Aí voltamos e ganhamos na casa deles – relembra Lazzari. 

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