FERNANDO SOARES
fernando.soares@pioneiro.com
PORTHUS JUNIOR
alcance | Nascida em Caxias, Croasonho já tem mais de 80 lojas
Cada vez mais empresas da Serra Gaúcha veem na adesão ao sistema de franquias um instrumento para conseguir maior presença de mercado e, consequentemente, ampliar o faturamento através da obtenção de taxas e royalties. Atualmente, dezenas de companhias da região atuam como franqueadoras, em busca de parceiros que instalem unidades Rio Grande do Sul e Brasil afora. Para os interessados em investir nas marcas da região, o leque de opções é vasto. Vai da moda à alimentação, da construção à tecnologia.
A estruturação de franquias de companhias serranas se intensificou ao longo dos últimos cinco anos. Das 29 marcas da região hoje presentes no franchising, pelo menos 13 surgiram neste período, que coincide com um momento de pujança do setor em todo o país. Mesmo passando pela recessão, o segmento movimentou R$ 163,3 bilhões no Brasil em 2017, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O resultado representa incremento de 26% se comparado a 2014, ano marcado pelo início da crise. E, em 2018, a atividade se encaminha para bater novo recorde de faturamento.
O dirigente da Regional Sul da ABF, Antônio Carlos Diel, salienta que, em um contexto de crise, a margem para erro é pequena. Neste sentido, empreendedores passaram a ver o sistema de franquias como uma alternativa interessante na hora de investir na criação de um negócio. O dirigente constata ainda que, parte da população que perdeu o emprego durante a recessão, utilizou a verba rescisória para empreender no segmento.
– Apenas 20% das empresas sobrevivem no mercado após cinco anos, mas nas franquias a taxa de sobrevivência é de 85%. Em um momento de insegurança, o franchising vira uma alternativa por já ser um modelo testado – aponta Diel.
De olho neste contexto, empresas da Serra têm ido atrás de novos parceiros. Consultor em franchising e professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Gilmar Gianni destaca que uma companhia leva em torno de seis meses para se estruturar e virar uma franqueadora. Responsável por auxiliar uma série de marcas serranas a se transformarem em franqueadoras, Gianni ressalta que é necessário encontrar um diferencial competitivo antes de ir ao mercado atrás de franqueados.
– A empresa precisa ter um produto bem-sucedido e analisar se tem estrutura para virar franquia, pois é preciso ter ciência de que estará assumindo um desafio que requer bastante responsabilidade – avalia.
A maioria das marcas da região prioriza o mercado gaúcho, mas há casos também de quem conseguiu alcançar voos mais altos. Um dos principais cases recentes do franchising brasileiro é a Croasonho, de Caxias do Sul, que acabou adquirida pela holding paulista Halipar no ano passado. Em menos de uma década, a empresa abriu mais de 80 lojas em 17 Estados e alcançou faturamento anual superior a R$ 100 milhões.
Um dos fundadores da marca, Gustavo Susin conta que a receita do crescimento esteve calcada em muita cautela. Após formatar o modelo de franquia, lançado em 2009, a ideia inicial era consolidar uma base regional antes de partir para as demais cidades do Estado e do país.
– Queríamos um crescimento sustentável. Não nos deixamos iludir com alguns pedidos que vinham de pessoas interessadas em abrir em São Paulo, Brasília e outros mercados maiores. Optamos por começar em um raio próximo ao nosso, em Farroupilha e Bento Gonçalves – lembra.
Em setembro, Susin e os demais sócios caxienses deixaram definitivamente a empresa. Desde então, a Halipar assumiu o controle total da Croasonho. A meta é continuar a expansão da marca, sobretudo além da região Sul.
Com o crescimento dos últimos anos, a Serra se consolidou como uma das regiões gaúchas com mais franquias, ao lado da Metropolitana de Porto Alegre e do Vale do Taquari. Das 49 empresas gaúchas associadas à ABF, 11 são serranas.
De cada R$ 4,00 faturados por franquias no Brasil, R$ 1,00 é oriundo do setor de alimentação. O segmento, sozinho, representa 26% da atividade no país.
RONI RIGON, BD, 8/6/2016
expansão | Tudo em Grãos, de Bortolini, quer abrir até cinco unidades a cada ano
Se engana quem pensa que o setor de alimentação está composto apenas por franquias de redes de fast food e outras guloseimas. Nos últimos anos, também começaram a despontar franqueadoras voltadas ao mercado de produtos naturais. Na Serra, um dos principais expoentes deste nicho é a Tudo em Grãos, que desde 2015 se expande de maneira acelerada.
Hoje, a marca possui 17 unidades nos três Estados do Sul. A meta é aumentar a rede com até cinco franquias por ano, com o foco voltado para as cidades da região. O investimento em uma unidade da marca varia entre R$ 180 mil e R$ 250 mil. O sócio-fundador da empresa Alex Xavier Bortolini destaca que nem mesmo o contexto de recessão no país travou a ampliação da rede nos últimos anos, pois a demanda por cereais, grãos e outros insumos naturais seguiu em alta.
– Todos os indicadores que temos acompanhado do varejo e da alimentação mostram que nosso segmento vem crescendo acima da média dos demais, mais até que o de fast food – ressalta.
A expansão da empresa por meio de franquias fará com que o faturamento da rede chegue a R$ 12,5 milhões neste ano, um incremento de 66% frente ao ano passado. Se levadas em consideração apenas as unidades que já existiam no ano passado, o crescimento da receita ficará na casa dos 20%. Segundo Bortolini, um dos segredos é manter o aspecto familiar do negócio, mesmo em modelo de franquias.
– Acompanho todas as inaugurações, pois vejo que é fundamental que o franqueado se envolva com o negócio. Os franqueados não são apenas investidores, mas pessoas que têm afinidade com o perfil dos nossos produtos.
MARCELO CASAGRANDE, BD, 24/8/2017
proximidade | Marcia ressalta que o desenvolvimento das franquias é acompanhado bem de perto
Além de setores tradicionais, casos de alimentação e indústria moveleira, a Serra passou a disseminar nos últimos anos franquias em ramos até então pouco explorados. A região possui casos de negócios em áreas como saúde, vestuário e comunicação que se tornaram franqueadores e hoje estão presentes em diferentes pontos do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Uma das mais recentes empresas da região a ingressar no franchising, a caxiense Bitcom Internet oferece um tipo de franquia pouco comum no país. A companhia atua como uma operadora que fornece serviços de televisão a cabo e internet ao público. Nos últimos cinco anos, formatou a operação e agora está em busca de franqueados. O primeiro passo a ser dado deve ser a conversão dos cinco representantes comerciais da marca na Serra em franqueados.
Segundo o presidente da Bit- com, Fabiano Vergani, a meta é buscar operadores de pequeno porte já em atuação no mercado, em cidades de até 100 mil habitantes, e transformá-los em franqueados. O projeto prevê o aumento da base de clientes da operadora em, pelo menos, 30% ao ano.
– Hoje temos uma base de mais de 30 mil assinantes. Desejamos no ano que vem chegar na casa de 50 mil, sendo que de 8 mil a 10 mil devem vir das novas franquias – projeta Vergani.
Até mesmo empresas com tradição no franchising tem procurado se reformular. Na moda, a Drops de Menta, de Caxias do Sul, foi uma das primeiras empresas da região a apostar no modelo de expansão por meio de franquias. No ano passado, atualizou os padrões para as unidades e a estratégia de negócio.
No momento, a empresa do ramo do vestuário possui 14 franquias em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. A prioridade é aumentar a presença no Estado e dar os primeiros passos em Santa Catarina e no Paraná. A fundadora da empresa Marcia Costa relata que já chegou a receber até 20 pedidos simultâneos para aberturas de franquias, mas aponta que a rede aposta por um crescimento moderado.
– Nossa estimativa é abrir duas unidades por ano. A ideia é ter uma franquia bem personalizada. Procuramos trabalhar o engajamento do franqueado e ensinamos o caminho para dar certo – ressalta Marcia.
Neste sentido, a empresária destaca que a franqueadora ajuda na elaboração do plano de negócio, realiza treinamentos in company e faz a análise financeira mensal da franquia.
Entre o final dos anos 1980 e o início da década de 1990, quando falar em franchising era algo pouco comum, o setor moveleiro inovou ao investir na criação de modelos de franquias. A partir dessa estratégia, marcas da Serra, um dos maiores polos de fábricas de móveis no país, conseguiram alcançar projeção nacional. Já consolidadas no mercado interno, as empresas da região passaram a intensificar a presença externa, inaugurando lojas fora do Brasil.
Com mais de 40 franquias no mercado interno, a Bontempo, fabricante de móveis de alto padrão sediada em São Marcos, viu na implementação de unidades no Exterior uma maneira de dar maior visibilidade à marca e, por tabela, impulsionar o volume de negócios. A empresa colocou neste ano uma franquia em Santiago, no Chile, e no ano passado abriu duas em Chicago e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Além dessas unidades, ainda há uma operação em Punta del Este, no Uruguai.
– Como tem muito brasileiro viajando nestas cidades do Exterior, com um alto padrão de consumo, as franquias no Exterior fortalecem a marca tanto interna como externamente. O cliente vê a marca fora do país e isso dá segurança na hora de ele escolher – avalia Maicon Barcaro, gestor de novos negócios da Bontempo.
Para a Florense, de Flores da Cunha, o mercado internacional acabou sendo a inspiração para criar o seu modelo de franquias. Desde 1988, a empresa conduz sua expansão no Brasil e no Exterior através desta estratégia. Como na época não existia a lei brasileira que regula o franchising, em vigor desde 1995, a empresa teve como referência o sistema norte-americano.
– Antes das franquias, as vendas eram realizadas para os grandes magazines, os nossos produtos ficavam juntos de móveis de qualidade inferior e era necessário ter um grande estoque na fábrica. Depois das franquias, criamos um canal exclusivo para nossos móveis e passamos a fazer a entrega direto no lugar da instalação – destaca o diretor Ezio de Salles.
A marca possui mais de 50 lojas no Brasil e outras 10 no Exterior, em sete países nas Américas do Sul, Central e do Norte.
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