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Recuar para crescer

LEONEL SUSIN, DA MAKE MASSAS,  TEM O DESAFIO DE MANTER RECEITA ARTESANAL E ATENDER À DEMANDA 

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BABIANA MUGNOL

babiana.mugnol@rdgaucha.com.br

Quando a Make Massas inaugurou em Caxias do Sul no final da década de 1980, a comida congelada e o micro-ondas ainda não eram presentes no dia a dia do consumidor. A empresa começou fazendo lasanhas para atender a uma demanda por comidas prontas, como de filhos de moradores que iam estudar em outras cidades. Poucos anos depois, já estava distribuindo para diversas partes do país, até São Paulo. Foi então que os proprietários enfrentaram o dilema. A empresa tinha crescido tanto que estava dando prejuízo.

O sócio fundador Leonel Susin conta que nunca faturaram tanto, mas estavam no vermelho pelos custos operacionais. Foi então que recomeçaram do zero. Deixaram de atender fora de Caxias do Sul e reestruturaram a empresa. Para manter a qualidade e sabor caseiros de massas e carnes, a opção atual é atender Porto Alegre, outras cidades gaúchas e Santa Catarina. São três revendas em Caxias do Sul, uma no Pio X, na Rua Ernesto Alves e na Avenida Júlio de Castilhos, em Lourdes.

A empresa, de origem familiar, agora enfrenta um novo desafio. A receita da mãe de família, passada para um dos filhos, não deve ser reproduzida pelas futuras gerações, que seguem por outros caminhos. 

PORTHUS JUNIOR 

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LEONEL SUSIN | Começo foi fazendo lasanhas para atender à demanda crescente por comida pronta

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Recebo diariamente convites para
abrir revenda. Nós é que seguramos
para não avançar com muita força 

  • Pioneiro: Hoje em dia, a referência da Make Massas são os congelados. Mas há 30 anos, como era a realidade que fez surgir o negócio?
    Leonel Susin: Somos uma empresa familiar que começou há 30 anos com os mesmos três sócios que estão hoje, eu, meu irmão e meu cunhado. Tínhamos uma dúzia de pratos, era muito pequena e só trabalhávamos com resfriados. Pratos que permanecem até hoje. Tivemos muita boa aceitação, passou de boca a boca, e aí começamos a crescer. Na época, nem se falava em congelados, não tinha essa ideia de comprar comida pronta. Todo mundo fazia em casa. Quando começamos com isso, as pessoas queriam ver se era de verdade, queriam ver a gente fazendo a lasanha. Havia restaurantes tradicionais que vendiam comida pronta, mas só com comida pronta fomos pioneiros. Hoje temos mais de 60 itens, entre massas, cruas e prontas, carnes e outros produtos semiprontos. 
  • Nos anos 1980, vocês anteciparam tendências, antes de mudanças no mercado de trabalho mudarem os hábitos alimentares.  
    Sempre trabalhamos em função do cliente. Naquela época, um conhecido nosso trouxe uma embalagem para fazer congelado para o filho que estudava em Porto Alegre. Um mês depois, voltou com uma caixa de pedidos, porque os colegas também queriam. A partir daí, criamos outros dois tamanhos menores, de 450 e 600 gramas. Hoje vendemos muito para famílias menores, pessoas que moram sozinhas, estudantes... Dos nossos 60 pratos, mais da metade foram clientes que nos solicitaram. Até o nosso nome foi um cliente quem deu. A ideia não era Make Massas, era “Ma che massa!”, em italiano, que foi um cliente que tinha uma cantina que nos sugeriu. A ideia foi boa, mas escrevemos com K. Minha esposa perguntou por que colocamos Make Massas com k. Graças a Deus que a tradução inglês ficou coerente e funcionou. Hoje em dia, a maioria conhece como Make. 
  • Quem está por trás das receitas, quem coloca a mão na massa de fato?
    No nosso ramo de comida artesanal e caseira, precisamos ter pessoas que dominem esse conhecimento. Primeira foi minha mãe, com a maioria das receitas que ela trouxe da avó dela. Depois, meu irmão mais novo assumiu. Ele conseguiu absorver todo esse conhecimento dela, se ele sair da cozinha, complica. 
  • Qual é a especialidade entre tantas opções?
    Dois pratos são muito tradicionais. O tortéi que vendemos em diversos restaurantes do Estado. A receita tradicional com moranga foi adaptada pela minha mãe e continua a mesma há mais de 30 anos. E tem também a lasanha de gado com a massa verde. Não conseguimos parar de fazer. É o nosso carro-chefe. 
  • A empresa teve expansão rápida e teve que recuar. As pequenas empresas vivem o dilema de escolher entre crescer e mudar o foco ou ter que recuar. Como fazer o balanço?
    Com três anos de empresa, nós explodimos. Estávamos atendendo todo o Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina, Paraná, estávamos chegando a São Paulo. Mas a empresa pequena se perdeu no caminho. Tivemos que nos reestruturar e organizar tudo. Em 2000, tomamos essa atitude. Paramos com toda a venda fora de Caxias e ficamos um tempo assim até começar de novo. Hoje atendemos Caxias, algumas cidades do Estado, como Porto Alegre, Taquari, Venâncio Aires, Santa Maria e alguns restaurantes em Florianópolis com tortéis, além de duas revendas. Nossa comida é congelada, mas é artesanal e nós temos um limite de produção. Isso aconteceu nos anos 1990: ou investíamos pesado para crescer muito forte e não manteríamos a característica artesanal ou nós íamos ter que partir para um parque fabril, grandes redes de atacados e mudar focos. Resolvemos recuar e continuar fazendo o que sabíamos: produtos de qualidade artesanal, que as pessoas levam para casa. Eles sabem o gosto, não podemos nem mudar os ingredientes. 
  • Qual é essa capacidade de produção? É uma cadeia de quantos fornecedores? 
    Hoje nós temos capacidade para 9 mil quilos por mês e são muitos fornecedores. O número de ingredientes para 60 pratos é muito grande, desde ovo in natura, ovo em pó, carne de frango que vem de Chapecó (SC) e de outros Estados, queijo que vem de uma parceria de muitos anos com um laticínio de Santa Catarina. Temos produtos vindos desde São Paulo, Rio de Janeiro, passando pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grando do Sul.  
  • Quais são os planos para os próximos anos?
    Estamos indecisos. Somos uma empresa familiar, com três sócios há 30 anos trabalhando e chega um ponto que cansa. São 30 anos fazendo a mesma coisa. Para se ter uma ideia, uma lasanha de carne leva dois dias para ser feita, porque tem que trabalhar uma série de ingredientes para montar, dois dias até resfriar, congelar, distribuir e tudo que envolve o processo. E nós dentro da família não conseguimos um sucessor que abraçasse isso. Todos os sócios têm filhos, mas que seguiram caminhos diferentes. Gostam de cozinhar em casa, mas não como profissão, dia a dia. A nossa ideia é continuar no mercado por um bom tempo, porque estamos crescendo. Recebo diariamente convites para abrir revenda. Nós é que seguramos para não avançar com muita força. Preferimos crescer com passos sólidos e devagar. O tempo que vai decidir quanto tempo vamos ficar no mercado ainda. 

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